Desculpa, pessoal, eu tentei evitar o desabafo que farei agora, mas é que é o meu mundo agora. Então, sorry! ^^

Acostume-se: a teoria é sempre melhor do que a prática. Não sei se melhor, mas bem diferente é. Na faculdade era tudo tão lindo, tantas teorias sobre a educação, tanta coisa poderia ser feita, eu ia mudar toda a triste realidade do sistema educacional brasileiro a partir do primeiro dia de trabalho numa sala de aula. Pensa que é assim?
Em primeiro lugar, e, para mim o mais espantoso: os alunos não levam a sério as mudanças. Sem brincadeira! Eles praticamente exigem “dever no quadro”, “exercícios para casa”, “atividade escrita valendo nota”, entre outras loucuras. Se eu quero trabalhar da maneira como eu aprendi que deveria, tenho que enfrentar esse primeiro obstáculo: OS ALUNOS NÃO SÃO PREPARADOS PARA PENSAR! E eles já chegam às minhas mãos condicionados a determinado modo de trabalho.
Em segundo lugar, acompanhando a idéia anterior: para que houvesse um acordo, todos os professores, de todas as séries, deveriam adotar a mesma perspectiva. Não precisava ser a minha, mas se todos se unissem e chegassem a um consenso, tudo seria mais fácil e faria muito mais sentido para os (pobres) alunos. Mas, o que acontece? Eu respondo: eles estão acostumados a “Ctrl C + Ctrl V”, utilizando a linguagem moderna. Do tipo: “Professora, essa resposta está em que linha do texto?”. E eles aprenderam isso sozinhos? NÃO! Eles não são estimulados a pensar, a desenvolver raciocínios, pois seus professores estão presos a métodos tradicionais bem pouco eficientes. Nossos discípulos estão acostumados a preencher formulários, e não a pensar sobre os assuntos.
Em terceiro lugar, seguindo a mesma linha: para que tudo isso acontecesse, todos teriam que ser capacitados para tal. Existem professores que, por infinitos motivos, nem sequer sabem que existem diferentes métodos de ensino, e, pior, nem possuem método algum.
Em quarto lugar: é pedir muito que um professor que ganha POUCO, muito pouco, e, às vezes nem ganha, faça cursos de reciclagem, cursos superiores, ou seja lá o que for. A maioria dos docentes precisa ter mais de uma matrícula, ou seja, trabalha em todos os horários do dia para se sustentar. Como é possível?
Em quinto e último lugar: ESTÁ TUDO ERRADO!
Se eu continuasse, a lista de problemas seria praticamente infinita. E de nada adiantaria ficar enumerando problemas aqui. Mas, que eles existem, existem. E isso a teoria nunca explica direito, ou, quando explica, usa uma porção de eufemismos e apresenta soluções bem pouco aplicáveis à realidade da sala de aula.
Contudo: cada um escolhe o caminho que quer. Eu, por enquanto, por pelo menos 6 meses, escolhi ser professora. Então, agora, pior será se eu apenas aceitar que está tudo errado e continuar contribuindo para a manutenção do caos. Na-na-ni-na-não! Eu vou lutando contra a corrente, me descabelando, acreditando no potencial dos alunos e seguindo conforme o que acho certo, na medida do possível. Com os pés no chão, claro. Mas que eu gostaria de mudar tudo isso, ah, eu gostaria. Eles merecem, sabe?!